segunda-feira, 6 de junho de 2011

A Bacia Sedimentar do Rio do Peixe


A BACIA SEDIMENTAR DO RIO DO PEIXE
A bacia de Sousa compreende uma área de 1.250 km2. Já Uiraúna-Brejo das Freiras é uma bacia menor com 480 km2. Estão localizadas no oeste do estado da Paraíba, nos municípios de Sousa, Uiraúna, Poço, Brejo das Freiras, Triunfo e Santa Helena.
A subdivisão litoestratigráfica formal dos depósitos cretáceos das bacias de Sousa e Uiraúna-Brejo das Freiras foi proposta por Mabesoone (1972) e Mabesoone & Campanha (1974). Estes autores designaram o Grupo Rio do Peixe, com espessura total de 2.870 metros, subdividindo-o nas formações Antenor Navarro, Sousa e Piranhas.

O primeiro registro da existência das pegadas da Bacia do Rio do Peixe
Em 1920 o geólogo Luciano Jaques de Moraes em missão da então Inspetoria Federal de Obras Contra a Seca (IFOCS), descobriu e divulgou através de sua obra “Serras e Montanhas do Nordeste” 3º volume, edição de 1924 a existência e as características de duas pistas de dinossauros diferentes entre si, encontradas no leito do Rio do Peixe, no município de Sousa-Pb.

A primeira pesquisa cientifica das pegadas dos dinossauros
Em 1975, a Icnologia (estudo das pegadas fósseis), voltou à tona no Brasil empreendeu-se uma exploração sistemática em todas as bacias sedimentares do país com amparo do CNPq. Coube então a Giuseppe Leonardi – padre, geólogo, pesquisador e paleontólogo do CNPq, natural de Veneza, Itália buscar as pegadas de dinossauros descobertas por Luciano Jaques de Moraes.
Ao chegar a Sousa Giuseppe Leonardi teve inicialmente muitas dificuldades para encontrar as pegadas descobertas por Luciano Jaques, pois ninguém sabia informar aonde elas se encontravam.  “Conversei com lavadeiras, pescadores, mas ninguém sabia dizer ao certo o local exato das pegadas, mas graças ao apoio logístico recebido da prefeitura de Sousa, pude com o auxílio de trabalhadores escavar montanhas de areia e cascalhos até encontrar as primeiras pegadas dos dinossauros na localidade Passagem das Pedras”.
“Posteriormente uma lenda local surgiu: aquela que as pistas haviam sido descobertas por um fazendeiro da região, Anísio Fausto Silva. O centenário desta descoberta foi celebrado em Sousa em 1997. Provavelmente as principais pistas tenham sido observadas por muitos fazendeiros, e antes deles mesmas por índios, devido ao fato de serem muito evidentes. Contudo, a descoberta, com um caráter científico, deve ser seguramente atribuída a Moraes”.
[Fonte: Publicação de autoria de Giuseppe Leonardi]

A ICNOFAUNA
Formação Sousa
Sítios: Barragem do Domício, Engenho Novo, Juazeirinho, Matadouro, Pedregulho, Piau-Caiçara, Piedade, A Camada do Rio do Peixe entre Passagem das Pedras e Poço do Motor, Piau II, Poço da Volta, Sítio Sagüim, Várzea dos Ramos e Zoador.
Em pelo menos 60 níveis incluem aproximadamente a seguinte icnofauna: 220 grandes terópodes; 29 pequenos terópodes classicamente considerados como Coelurosauria; 11 saurópodes; 15 ornitópodes graviportais; 1 pequeno ornitísquio quadrúpede; um número de pistas de dinossauros não-classificáveis ou incertas; 1 conjunto batracopódido; um grande número de pegadas de pequenos quelônios. Ao todo o número de indivíduos dinossaurianos é superior a 276
Formação Antenor Navarro
Sítios: Aroeira, Pocinhos, Riacho do Cazé, Serrote do Letreiro e Serrote do Pimenta.
Em pelo menos 12 níveis incluem aproximadamente: 53 grandes terópodes; 31 saurópodes; 5 ornitópodes graviportais, sendo um deles quadrúpede; 1 ornitísquio quadrúpede, provavelmente um anquilossauro; uma pegada lacertóide; um número de pistas não-classificáveis ou incertas. O número de indivíduos dinossaurianos é superior a 90.
Formação Piranhas
Sítios: Cabra Assada, Curral Velho, Mãe d'Água e Fazenda Paraíso.
Incluem cerca de 6 níveis com a seguinte icnofauna: 23 grandes terópodes; 2 pequenos ornitópodes; 8 ornitópodes graviportais, um dos quais quadrúpede; um número de pistas não-classificáveis ou incertas. Os indivíduos dinossaurianos excedem em 33.

Estruturas Sedimentares
As principais estruturas sedimentares são gretas de ressecamento, estruturas convolutas, marcas de onda, estratificações cruzadas cavalgantes, marcas de gotas de chuva e bioturbações.
Recentemente foi descoberta marcas de correntezas fossilizadas na Formação Antenor Navarro.

O filme Jurassic Park e o Vale dos Dinossauros - PB
Dado a fama do TI-REX e Velociraptor através do filme Jurassic Park costumamos ler e ouvir depoimentos de pessoas afirmando que existem rastros desses dinossauros no Vale dos Dinossauros paraibano. Não existe, isto é fábula.
Para o paleontólogo italiano Giuseppe Leonardi que desde o ano de 1975 a 1988 realizou pesquisas sistemáticas do oeste da Paraíba é uma verdadeira aberração estas afirmações sobre a existência de rastros de tiranossauro e velociraptor na Bacia do Rio do Peixe.
A Bacia do Rio do Peixe é do Cretáceo Inferior enquanto os TI-REX, por exemplo, foram descobertos que seus fósseis datam do Cretáceo Superior, na Ásia e no Hemisfério Norte. Em parte alguma da América do Sul existe registros de fósseis de TI-REX.

Os Icós-Pequenos e as Pegadas dos Dinossauros
No sitio Serrote dos Letreiros, no município de Sousa existe petroglifos indígenas associados a pegadas de dinossauros terópodes.
A autoria dos petrogliflos recai sobre os Icós-Pequenos que povoaram o sertão do Rio do Peixe.
O que chama a atenção é os petroglifos foram feitos ao lado das pegadas, sem afetá-las.
Sem um caráter cientifico quem descobriu as pegadas dos dinossauros foram os índios e depois destes, devem ter sido vistas pelos agricultores pelo fato das pegadas serem muito evidentes.

ONG - Movimento de Preservação do Vale dos Dinossauros
Criada em 1996 essa ONG contribuiu não apenas para evitar que pegadas de dinossauros fossem destruídas por pedreiras em atividade, mas proporcionou também a descoberta de novas pegadas de dinossauros e sítios arqueológicos.
A “Movissauros” fez ressuscitar o Vale dos Dinossauros que naquele ano estava no completo esquecimento.
Depois disto recebeu o projeto que construiu o centro de visitação e infra-estrutura turística no sitio Passagem das Pedras, em Sousa.

O Professor e Ambientalista Dr. Daniel Duarte Pereira e o Vale dos Dinossauros
O município de Sousa deve ao professor e ambientalista Dr. Daniel Duarte Pereira, lotado no Departamento de Fitotecnia e Ciências Ambientais/CCA/UFPB a concepção e elaboração do projeto que contemplou: reflorestamento da mata ciliar do Rio do Peixe, a construção do centro de visitação, canal de alivio e infra-estrutura turística no sitio Passagem das Pedras. As obras foram realizadas através de um convênio entre o Ministério do Meio Ambiente, Estado da Paraíba/Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) e Prefeitura Municipal de Sousa (Convênio MMA/PNMA/PED nº. 96 CV00030/96) visando à consolidação do "Monumento Natural Vale dos Dinossauros.

Centro de Visitação Vale dos Dinossauros – Sousa-PB
A principal área de distribuição das pegadas de dinossauros localizada em Passagem das Pedras (fazenda Ilha) no município de Sousa é atualmente um parque natural, contando com um centro de visitação, pontes e passarelas e demais infra-estrutura turística.
A localidade designada como Monumento Natural Vale dos Dinossauros mede 40 hectares de área é tombada pelo Governo do Estado.
O Parque conta com pessoal treinado para o turismo ecológico e para a proteção do sítio paleontológico.
A melhor época para a visitação é de julho a dezembro após o período das chuvas.
O acesso ao Complexo Turístico Vale dos Dinossauros é gratuito.
Telefone de contato com o Centro de Visitação (orelhão) 083 3522-3055

Como chegar ao Centro de Visitação
Partindo da cidade de Sousa segue-se pela Rodovia PB-391 sentido Sousa a Uiraúna, distante oito quilômetros.
A entrada do Parque existe placa indicativa.

Onde se hospedar em Sousa
Pousada Dinossauros - 083-3522-2299
Pousada O Frouxão - 083-3521-1221
Pousada Coco Verde - 083-3522-2717
Pousada e Rest. Jacome – 083-8843-1682
Pousa Pai Assis – 083-3522-1645

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